Economia de Atenção

Meu avô, quando vivo, era mestre em me irritar com seu excesso de atenção em tudo o que fazia. Quando pegava alguma embalagem de algum produto para ler, por exemplo, examinava cada detalhe, a ponto de questionar a escolha das cores naquele produto. Era assim com tudo, e tudo isso levava um relativo tempo. Sob minha ótica, aquela concentração aplicada em tudo levava tempo demais; Tempo que eu poderia usar para fazer outras milhares de coisas. E é aí que entramos no ponto central deste texto: será que realmente faríamos outras coisas, no tempo que não temos, quando deveríamos prestar atenção em algo mas estamos pensando em quanto tempo estamos perdendo?

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Web Noise, por @Zloigadik

Segundo o internetworldstats.com, o mundo já conta com mais de 3 bilhões de usuários ativos. É praticamente metade da população mundial com acesso a uma ferramenta que permite que se crie, compartilhe e receba informações em tempo real. É MUITA informação, o tempo inteiro. Sem parar! E o problema começa quando começamos a achar que damos conta disso tudo. Pesquisas multi-tarefas mostram que enquanto achamos que damos conta de várias coisas ao mesmo tempo, na verdade fazemos pior cada uma delas. E se quiser tirar a prova, pode tentar a sorte em alguns desses joguinhos multi-tarefas.

Para tornar a reflexão um pouco mais interativa, responda: quantas abas você tem aberta em seu navegador enquanto lê este texto?

O excesso de informações faz com que criemos filtros pra o que vamos de fato absorver e o que podemos deixar passar. Ou ao menos é o que deveria acontecer e o com que deveríamos nos preocupar. Se você entrar agora no site da Folha, por exemplo, vai ver ao menos uma centena de links para notícias. Quais são úteis para você? Quais realmente importam?

Nem tudo o que é escrito foi feito para você. Quem escreve para todos, não está preocupado em ir a fundo no tema, portanto, atinge todos de maneira superficial. Meus textos por exemplo, não são destinados para todo mundo, mas também não atingem nenhum nicho específico. Lê quem quer.

É com base nisso que nasce minha preocupação do quanto as pessoas realmente estão absorvendo do que escrevo. É muito bom ver que estou com quase 30.000 leitores, MAS é muito melhor quando descubro que o que escrevi foi verdadeiramente relevante para alguém. A questão é que ser relevante ou não, nesses casos, depende não somente de quem produz, mas de quem consome.

Meu avô era de uma época onde não existia a internet. Pesquisar sobre algum tema exigia tempo e alguma dedicação. Eu mesmo quando pequeno pesquisava na Barsa (se você não faz a mais remota ideia do que é isso, recomendo o texto Os Equivalentes da Internet). Não é uma questão de melhor ou pior, mas de que as coisas são como são. Os tempos mudam, a tecnologia evolui, e a gente precisa se adaptar.

O artigo científico de The Extended Mind, de And Clark e David Chalmers  mostra que nossa mente está se estendendo para incorporar o mundo ao nosso redor. E isso inclui evoluir para acompanhar o excesso de informação dos dias atuais.

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Voltando à reflexão inicial, provavelmente meu avô concordava com Art Markman, que disse que “Um bom jeito de fazer uma tarefa, é fazer só ela”.  Essa citação é importante justamente porque apesar dessa expansão mental estar em andamento, ainda precisamos nos preocupar em como estamos filtrando as informações que recebemos!

E se você curtiu o propósito do texto, sugiro os artigos The attention economy: an overview e The attention economy – It costs nothing to click, respond and retweet. But what price do we pay in our relationships and our peace of mind e o vídeo Estamos ficando mais burros?

Um abraço e até a próxima!

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O diletantismo coçante

No primeiro texto do ano – 2016, iniciando os trabalhos – eu entrei um pouco na ideia de como tenho me livrado da procrastinação ou, citando Clóvis de Barros Filho em sua excelente entrevista ao Jô, do diletantismo coçante. Quero tratar neste texto as maneiras que tenho encontrado de lidar com isso e como toda esta fase tem me ajudado.

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Imagino que todos nós temos um pouco de procrastinadores, e mesmo que não deixemos nos levar pela ideia, em algum momento ou outro, cedemos. Não que seja um problema muito grande se entregar à preguiça e simplesmente deixar para depois, mas na maioria das vezes isso acaba virando regra. Caímos em um ciclo de “logo mais eu faço” ou “pode deixar que eu já resolvo”. Nos viciamos em prometer coisas que sabidamente não poderemos cumprir ou a garantir soluções futuras. Isso tudo porque temos uma leve tendência à “soluções” fáceis, mesmo que não solucione nada. É muito mais fácil falar sim para tudo e para todos e garantir uma boa imagem – mesmo que passageira – do que não se comprometer e ser taxado como o “chatão” ou coisa do tipo.

Refletir sobre isso me fez buscar exemplos práticos que mostram o quão procrastinador eu sou, e para minha surpresa, achei coisa pra caramba. Um exemplo é o recurso “Salvar” do Facebook, onde podemos salvar links e postagens para conferir mais tarde. Ao acessar o material salvo, me deparei com nada menos do que 78 artigos para ler depois. Eu poderia tentar me justificar dizendo que estava no metrô e sabia que a internet não carregaria o artigo na íntegra, ou que naquele momento não tinha tempo para ler, mas nada disso seria verdade, do contrário eu não estaria no Facebook.

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Foram 78 vezes que eu deixei de fazer algo no momento para fazer depois. Poderíamos aqui estar falando sobre “78 livros que quero ler antes de morrer…” mas não! São 78 artigos, em sua maioria pequenos, que não me ocupariam mais que 5 minutos de leitura, deixados para amanhã, ou depois de amanhã, na outra semana, ou quem sabe para o próximo ano.

Observar e entender isto me fez perceber que se trata de um comportamento, e como a maioria dos comportamentos, é algo sistemático, que temos tendência a repetir.

Foi por este motivo que no texto anterior falei que “[…] tenho aberto apenas um link por vez para dar atenção total […]”. Parece pouco, mas contribui muito para a filosofia de não deixar nada para depois. E sem querer, acabo entrando em outros méritos, como a ideia de que lidar com isto é de certa forma amadurecer.

Talvez deixar de procrastinar seja um processo de amadurecimento do qual todos nós devemos passar. Não é fácil, mas é possível.

Poderia aqui continuar este texto dando lições de como deixar de ser um procrastinador, ou dicas práticas para fazer o que deve ser feito. Mas não posso. Não enquanto não colocar tais coisas em prática. Pode ser que no fim das contas, o jeito seja ir e fazer. Depois, se sobrar tempo, pesquisamos sobre como fazer melhor.

Assim me despeço de vocês, até porque tenho 78 textos para ler…

2016, iniciando os trabalhos

Fala galera! Beleza?

Já faz um ano que publiquei o texto É isso aí pessoal, encerrando as atividades aqui no blog. Diria que esse afastamento foi necessário, onde me dediquei 100% ao projeto empreendedor. Foi um ano de muitos erros e acertos, mas que consigo resumir em um ano de aprendizagem. 2016 já está rolando, a vida não para e nem a gente!

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Peguei no @memoriasdeumesclerosado

E é por esse motivo que eu resolvi voltar a escrever, mas sem pressão! Sem pressão porque planejar demais as coisas geralmente toma o tempo que você deveria usar para colocá-las em prática. O texto Como aprendi a parar de procrastinar e a gostar de me soltar tem me ajudado muito a entender um pouco mais o porque de não levar as coisas adiante, então, sugiro fortemente a leitura.

Então a ideia é a seguinte: Just Do It!

Falando em fazer, algumas coisas que já estão rolando neste momento: Comecei a treinar Flag (uma versão do Futebol Americano) com os Caniballs FC! Foi a maneira que encontrei para ser menos sedentário e perder peso. O resultado por enquanto foi 3kg em pouco menos de um mês! Quem tiver interesse em conhecer, é só clicar ali no nome e entrar em contato com o pessoal. O treinamento é de graça e acontece 4 vezes por semana, sem obrigatoriedade de frequência!

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Foto por Caio Ciuccio

Outra coisa que tem rolado é a colaboração frequente com otimizações on-page e marketing digital para o pessoal lá do Formiga Elétrica. Para quem curte cinema, quadrinhos e todo o mundo que gira em torno disso, é uma parada obrigatória!

Tenho tomado menos café preto (quase zero), caminhado mais, aberto apenas um link por vez para dar atenção total ao conteúdo dele, utilizado softwares gratuitos, acompanhado novos canais no YouTube e mais um monte de coisa que pretendo compartilhar com vocês aqui no blog!

Acho que para um texto de reinicio está bom demais!

:*