Precisamos aprender a conversar

Antes de entrarmos no tema de fato, preciso explicar minha motivação: política. Este era para ser um texto político, mostrando o meu lado nisso tudo, quem apoio e quem condeno, dando motivos, links, fontes, provas e a coisa toda. Para fazer isso com alguma propriedade, fiz o de costume: comecei a pesquisar mais sobre o tema. E aí fui encontrando tanto ódio acima de argumentos, que resolvi mudar o foco do texto. Vejo que hoje antes de qualquer coisa, precisamos aprender a conversar.

comunicação não-violenta - cordeiroyuri

Como disse recentemente em uma publicação minha no Facebook, as pessoas estão presas a um pensamento maniqueísta sobre tudo. É a tal da polarização de ideias. Não que isto seja uma coisa nova, muito pelo contrário, é só dar uma olhada no que é maniqueísmo.

Hoje todo mundo é especialista em praticamente tudo. Quando surgiu a questão da Fosfoetanolamina por exemplo, as pessoas não só tinham uma opinião formada sobre o assunto como todas elas passavam o entendimento de que haviam estudado a vida inteira para falar sobre o tema. E a mesma coisa acontece com tudo.

Quando entramos na questão política tudo tende a ser levado ao extremo. Todo mundo não só tem uma opinião formada e é especialista político como condena quem tem uma opinião diferente. Quando os alunos da PUC protestaram em um ato contra o impeachment, ouvi coisas como “Nossa, pessoas que eu julgava cultas protestando a favor da Dilma? Que vergonha!”.

A polarização de ideias

Quando temos uma opinião já formada sobre um assunto, tendemos buscar conteúdo e referências de pessoas que compactuam da mesma ideia, ou em outras palavras, estão do mesmo lado que o nosso, que compartilham da mesma opinião. Nenhum problema em relação a isso, até é natural. O problema começa quando entra o fator pressão social.

O  estudo  Opinions and Social Pressure de 1955 de Solomon Asch, mostra justamente isso, e nos apresenta como é fácil induzir uma pessoa ao erro simplesmente apresentando a resposta errada como correta através de um influenciador (na época, algum ator famoso). A coisa toda fica ainda mais séria quando a polarização é em grupo. A Onda é um excelente filme para se ter uma ideia do quão perigoso é o fenômeno!

Eu poderia escrever mais alguns milhares de parágrafos sobre o tema, mas prefiro deixar a sugestão do vídeo Coxinhas vs. Petralhas do canal Nerdologia, que fala sobre tudo isso de uma maneira bem mais didática e clara.

Ainda sobre a questão da polarização de ideias e aproveitando o artigo Qual o estado da nossa democracia? do site NEXO, coloco abaixo a citação de Daniel Aarão Reis, Professor titular de História Contemporânea da UFF:

“A polarização atual em relação ao impeachment a favor ou contra ela está escondendo algo que é muito mais profundo e mais importante que é o seguinte: quais os rumos que se quer dar para a democracia brasileira?” 

Ninguém mais está realmente preocupado com a questão do impeachment. A questão agora é defender o lado ou contar vitória. Uma prova bem simples disso é quando o PC Siqueira recomenda o vídeo Entendendo a ilegalidade do impeachment (que defende que trata-se de um golpe, como bem diz o título) e a maioria das pessoas que defendem o impeachment respondem falando “parei de ver o vídeo quando ela disse presidenta”.

Comunicação não-violenta

Aqui entramos onde realmente queria no texto. Qual é o problema em conversarmos sem querer que alguém morra? Vamos tomar como exemplo a gloriosa fala do Bolsonaro antes de votar a favor do processo impeachment (mas poderíamos pegar várias outras que ele já falou, tão absurdas quanto). Existe quem critique e exista quem defenda (acredite se quiser). O ponto é que não adianta repudiar o fato de que ele faça uma saudação a um torturador desejando que ele sofra da pior tortura imaginável.

É mais ou menos aquela questão ética de que se você mata um assassino, o número de assassinos no mundo continua exatamente o mesmo.

Praticar a comunicação não-violenta não é fácil, mas exige ao menos a atenção das pessoas. Precisamos entender melhor o quanto toda essa hostilidade nos debates do dia a dia nos impedem de enxergarmos a coisa como um todo, ou até mesmo de mudarmos de opinião. Precisamos abusar um pouco mais de um recurso que temos chamado de empatia. E não digo a empatia da internet, onde “dizemos” que entendemos. Empatia de verdade. 

“Não pense que o que diz é empatia. Assim que pensa que o que diz é empatia, estamos distantes do objetivo. Empatia é onde conectamos nossa atenção, nossa consciência, não o que falamos.” – Marshall Rosenberg

Então deixo vocês com a sugestão do vídeo Comunicação Não-Violenta, de Marshall Rosenberg e com o texto Comunicação não-violenta: o que é e como praticar do PdH.

Entenda que não ha nada de errado em discordar do brother que escreveu asneira, mas o respeito pela opinião alheia precisa existir antes de qualquer coisa.

Do contrário, é apagar fogo com fogo. O incêndio só vai aumentar.

Abraços e até a próxima!

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