O diletantismo coçante

No primeiro texto do ano – 2016, iniciando os trabalhos – eu entrei um pouco na ideia de como tenho me livrado da procrastinação ou, citando Clóvis de Barros Filho em sua excelente entrevista ao Jô, do diletantismo coçante. Quero tratar neste texto as maneiras que tenho encontrado de lidar com isso e como toda esta fase tem me ajudado.

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Imagino que todos nós temos um pouco de procrastinadores, e mesmo que não deixemos nos levar pela ideia, em algum momento ou outro, cedemos. Não que seja um problema muito grande se entregar à preguiça e simplesmente deixar para depois, mas na maioria das vezes isso acaba virando regra. Caímos em um ciclo de “logo mais eu faço” ou “pode deixar que eu já resolvo”. Nos viciamos em prometer coisas que sabidamente não poderemos cumprir ou a garantir soluções futuras. Isso tudo porque temos uma leve tendência à “soluções” fáceis, mesmo que não solucione nada. É muito mais fácil falar sim para tudo e para todos e garantir uma boa imagem – mesmo que passageira – do que não se comprometer e ser taxado como o “chatão” ou coisa do tipo.

Refletir sobre isso me fez buscar exemplos práticos que mostram o quão procrastinador eu sou, e para minha surpresa, achei coisa pra caramba. Um exemplo é o recurso “Salvar” do Facebook, onde podemos salvar links e postagens para conferir mais tarde. Ao acessar o material salvo, me deparei com nada menos do que 78 artigos para ler depois. Eu poderia tentar me justificar dizendo que estava no metrô e sabia que a internet não carregaria o artigo na íntegra, ou que naquele momento não tinha tempo para ler, mas nada disso seria verdade, do contrário eu não estaria no Facebook.

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Foram 78 vezes que eu deixei de fazer algo no momento para fazer depois. Poderíamos aqui estar falando sobre “78 livros que quero ler antes de morrer…” mas não! São 78 artigos, em sua maioria pequenos, que não me ocupariam mais que 5 minutos de leitura, deixados para amanhã, ou depois de amanhã, na outra semana, ou quem sabe para o próximo ano.

Observar e entender isto me fez perceber que se trata de um comportamento, e como a maioria dos comportamentos, é algo sistemático, que temos tendência a repetir.

Foi por este motivo que no texto anterior falei que “[…] tenho aberto apenas um link por vez para dar atenção total […]”. Parece pouco, mas contribui muito para a filosofia de não deixar nada para depois. E sem querer, acabo entrando em outros méritos, como a ideia de que lidar com isto é de certa forma amadurecer.

Talvez deixar de procrastinar seja um processo de amadurecimento do qual todos nós devemos passar. Não é fácil, mas é possível.

Poderia aqui continuar este texto dando lições de como deixar de ser um procrastinador, ou dicas práticas para fazer o que deve ser feito. Mas não posso. Não enquanto não colocar tais coisas em prática. Pode ser que no fim das contas, o jeito seja ir e fazer. Depois, se sobrar tempo, pesquisamos sobre como fazer melhor.

Assim me despeço de vocês, até porque tenho 78 textos para ler…

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7 comentários em “O diletantismo coçante

  1. Estava vendo justamente a entrevista do Clóvis no Programa do Jô, e ao me deparar com o brocardo proferido pelo entrevistado, me veio uma dúvida que acabou transportando-me ao seu blog. Apesar de tratar sobre outro assunto, acabei lendo toda a matéria, pois procrastinar não era solução, visto que ficou bom pra caralho a publicação do blog. Parabéns. Abraço.

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  2. Oi Yuri! Você falou algo bem importante em relação ao hábito: sistematização. Todo hábito, seja bom ou ruim, é sistemático, entra no automático e não percebemos. E a procrastinação me parece o pior deles, pois dá uma falsa sensação de que estamos fazendo algo bom, quando, na verdade, estamos adianto o que pode nos fazer mais felizes. Ótimo texto! Abraços.

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