O brasileiro protestando

Eu sinceramente nunca achei que fosse escrever, nem ler,  nada sobre algum protesto grande no Brasil. Certo, imaginei que isto fosse acontecer quando a novela das nove não fosse mais ser exibida, ou talvez quando chegasse ao fim o bolsa família. Acontece que fomos surpreendidos novamente! Então, começo este texto deixando claro que sou totalmente a favor de protestos, desde que sejam feitos direito.

Em uma análise feita pelo jornalista Gustavo Romano para a Folha de S.Paulo, é passada uma visão muito boa do que está acontecendo, sendo um conflito entre três direitos:“o dos manifestantes de se manifestarem, o dos não manifestantes de irem e virem e o do poder público de gerenciar o bem-estar da sociedade como um todo.” 

Eu, particularmente acho ótimo ver uma manifestação em decorrência de uma ação política. Vejo muitas pessoas falando que são “apenas” vinte centavos… Chega de comodismos e de aceitar isto numa boa. Considerando que temos uma média de 3.400.000 passageiros diários só no metrô,  um aumento de R$0,20 representa a mais para os cofres públicos R$680.000,00 por dia, R$4.700.00,00 por semana e R$19.000.000,00 por mês (valores aproximados). Só no metrô! Como temos certeza que todo esse valor não será aplicado na melhoria do sistema de transportes públicos mas sim no bolso de uns ou outros, o protesto é mais do que válido.

Entrando no quesito de que a liberdade de expressão é garantida pela Constituição, somos obrigados a nos lembrar de que não há direitos sem obrigações ou limites. Obviamente estamos ultrapassando os limites.

Talvez considerar isto coisa de brasileiro não seja justo, afinal, a geração que já foi a luta nas ruas hoje assiste de casa toda essa confusão, e essa geração que hoje protesta por razões políticas é uma novidade. Podemos tentar ver como comparativo, alguns protestos na Europa, local que nós sempre fazemos questão de lembrar por ser povoado de pessoas cultas, educadas e cientes de seus direitos e deveres. Pegando um caso recente,  como o protesto contra recessão, vemos que na hora que se mexe no bolso, não importa nada do que foi citado, o pau come.

Se entrássemos em quesitos históricos, poderíamos facilmente explicar o porque o brasileiro tem pouca afinidade com protestos e manifestações, e o porque os europeus tem tanta afinidade, mas não é o caso. Num modo mais rápido e fácil, onde existe um conflito de interesses políticos e principalmente um conflito de direitos, fica difícil estipular limites. Nós, manifestantes temos o total direito de manifestar. O problema é que as demais pessoas que não participam do protesto, tem o direito de ir e vir, e o poder público tem a obrigação de assegurar os direitos de todos, tanto o de protestar quanto o de ir e vir. A partir do momento em que os manifestantes interrompem o direito alheio, o poder público age para garantir tais direitos, e aí entra o problema, onde um direito interfere no outro.

O que precisamos aprender é a coexistir, para que todos os direitos estejam garantidos, sem que nenhum seja atropelado pelo outro.

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4 comentários sobre “O brasileiro protestando

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