Amanhecerá. E amanhã, será?

Você com certeza já se sentiu pra baixo, sem vontade de seguir adiante. Já se deparou com muros que pareciam altos demais para serem escalados. Já parou para pensar no rumo que sua vida estava tomando e não gostou do destino. Existe uma luta diária, constante que travamos, que define quem somos. E é disso que vamos falar.

Nossa luta diária

Cresci com a ideia de que era indigno do que tinha. Sempre sortudo demais, beneficiado demais, tendo demais enquanto a grande maioria, ficava com a parte de menos. Estudei em colégio particular sob a ameaça de que se repetisse meu destino seria um público (como se isto fosse demérito). Aproveitava meus brinquedos sob a perspectiva de que crianças da minha idade pegavam lixo na rua em busca da sobrevivência. Comia toda a comida do prato pensando nas pessoas que não tinham o que comer.

A tensão sempre foi presente.

Esta foi a primeira parte da minha infância, ou a mais relevante. São essas recordações que carrego e são elas que moldaram grande parte do que sou. E não de forma positiva.

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Este intenso sentimento de culpa me tornou sim uma pessoa mais consciente, com uma capacidade de empatia acima da média e nada egoísta. Mas ao mesmo tempo me tornou uma pessoa incapaz. Incapaz de alcançar certas coisas por medo de ser egoísta. Por medo de falhar e me tornar menos digno da conquista.

É uma luta diária que travo, de autorreflexão, de autoanálise, de entendimento de certos gatilhos emocionais que me bloqueiam.

Hoje tenho consciência destes problemas. Sei que estes sentimentos da infância foram responsáveis por moldar determinadas formas de pensar que trago até hoje (e provavelmente levarei para sempre). E aí entra mais uma regalia: eu tive condições de ter um acompanhamento psicológico para me ajudar com isso. E quem não tem?

Minha luta é comigo mesmo. E muito provavelmente o mesmo vale para você.

O monstro que criamos

Naturalmente, todos os problemas acabam tomando uma proporção muito maior do que a realidade. Nos deixamos levar por pensamentos que modificam completamente a proporção  do problema. Nossas neuroses se alimentam de outras. Se alimentam daquela fechada no trânsito que trazemos para o lado pessoal. Pelo olhar torto de alguém que nunca vimos e nunca mais vamos ver. Pela publicação cheia de raiva que lemos na timeline ou por uma notícia escandalosa que reflete o nosso pior lado.

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Nós sabemos o que nos faz mal. E continuamos a nos alimentar dessas coisas.

O tamanho da briga

Aqui entra o ponto mais importante do texto. Não devemos nos comparar a ninguém. Nossos problemas não são maiores ou menores. Não existe uma proporção relacional que justifique a definição de algum tipo de placar para definir se o seu problema é maior do que o de alguém. O seu problema é exclusivamente seu, e só você pode lidar com ele.

Não compare. Não se avalie se baseando no outro. Você, antes de tudo, é um ser único, e portanto, impossível de ser simplificado a “listas do que fazer para uma vida melhor”.

Somos muito mais complexos do que imaginamos, e não pensamos a respeito. Não nos permitimos um tempo exclusivo para pensar sobre. Não respeitamos a necessidade plena de que, a consciência de quem somos é tão importante quanto a ideia de quem queremos ser. Precisamos entender que quem somos é o mais importante.

Quando será o dia em que finalmente você se tornará quem quer ser?

Amanhecerá. Mas e amanhã… será?

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Precisamos aprender a conversar

Antes de entrarmos no tema de fato, preciso explicar minha motivação: política. Este era para ser um texto político, mostrando o meu lado nisso tudo, quem apoio e quem condeno, dando motivos, links, fontes, provas e a coisa toda. Para fazer isso com alguma propriedade, fiz o de costume: comecei a pesquisar mais sobre o tema. E aí fui encontrando tanto ódio acima de argumentos, que resolvi mudar o foco do texto. Vejo que hoje antes de qualquer coisa, precisamos aprender a conversar.

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Como disse recentemente em uma publicação minha no Facebook, as pessoas estão presas a um pensamento maniqueísta sobre tudo. É a tal da polarização de ideias. Não que isto seja uma coisa nova, muito pelo contrário, é só dar uma olhada no que é maniqueísmo.

Hoje todo mundo é especialista em praticamente tudo. Quando surgiu a questão da Fosfoetanolamina por exemplo, as pessoas não só tinham uma opinião formada sobre o assunto como todas elas passavam o entendimento de que haviam estudado a vida inteira para falar sobre o tema. E a mesma coisa acontece com tudo.

Quando entramos na questão política tudo tende a ser levado ao extremo. Todo mundo não só tem uma opinião formada e é especialista político como condena quem tem uma opinião diferente. Quando os alunos da PUC protestaram em um ato contra o impeachment, ouvi coisas como “Nossa, pessoas que eu julgava cultas protestando a favor da Dilma? Que vergonha!”.

A polarização de ideias

Quando temos uma opinião já formada sobre um assunto, tendemos buscar conteúdo e referências de pessoas que compactuam da mesma ideia, ou em outras palavras, estão do mesmo lado que o nosso, que compartilham da mesma opinião. Nenhum problema em relação a isso, até é natural. O problema começa quando entra o fator pressão social.

O  estudo  Opinions and Social Pressure de 1955 de Solomon Asch, mostra justamente isso, e nos apresenta como é fácil induzir uma pessoa ao erro simplesmente apresentando a resposta errada como correta através de um influenciador (na época, algum ator famoso). A coisa toda fica ainda mais séria quando a polarização é em grupo. A Onda é um excelente filme para se ter uma ideia do quão perigoso é o fenômeno!

Eu poderia escrever mais alguns milhares de parágrafos sobre o tema, mas prefiro deixar a sugestão do vídeo Coxinhas vs. Petralhas do canal Nerdologia, que fala sobre tudo isso de uma maneira bem mais didática e clara.

Ainda sobre a questão da polarização de ideias e aproveitando o artigo Qual o estado da nossa democracia? do site NEXO, coloco abaixo a citação de Daniel Aarão Reis, Professor titular de História Contemporânea da UFF:

“A polarização atual em relação ao impeachment a favor ou contra ela está escondendo algo que é muito mais profundo e mais importante que é o seguinte: quais os rumos que se quer dar para a democracia brasileira?” 

Ninguém mais está realmente preocupado com a questão do impeachment. A questão agora é defender o lado ou contar vitória. Uma prova bem simples disso é quando o PC Siqueira recomenda o vídeo Entendendo a ilegalidade do impeachment (que defende que trata-se de um golpe, como bem diz o título) e a maioria das pessoas que defendem o impeachment respondem falando “parei de ver o vídeo quando ela disse presidenta”.

Comunicação não-violenta

Aqui entramos onde realmente queria no texto. Qual é o problema em conversarmos sem querer que alguém morra? Vamos tomar como exemplo a gloriosa fala do Bolsonaro antes de votar a favor do processo impeachment (mas poderíamos pegar várias outras que ele já falou, tão absurdas quanto). Existe quem critique e exista quem defenda (acredite se quiser). O ponto é que não adianta repudiar o fato de que ele faça uma saudação a um torturador desejando que ele sofra da pior tortura imaginável.

É mais ou menos aquela questão ética de que se você mata um assassino, o número de assassinos no mundo continua exatamente o mesmo.

Praticar a comunicação não-violenta não é fácil, mas exige ao menos a atenção das pessoas. Precisamos entender melhor o quanto toda essa hostilidade nos debates do dia a dia nos impedem de enxergarmos a coisa como um todo, ou até mesmo de mudarmos de opinião. Precisamos abusar um pouco mais de um recurso que temos chamado de empatia. E não digo a empatia da internet, onde “dizemos” que entendemos. Empatia de verdade. 

“Não pense que o que diz é empatia. Assim que pensa que o que diz é empatia, estamos distantes do objetivo. Empatia é onde conectamos nossa atenção, nossa consciência, não o que falamos.” – Marshall Rosenberg

Então deixo vocês com a sugestão do vídeo Comunicação Não-Violenta, de Marshall Rosenberg e com o texto Comunicação não-violenta: o que é e como praticar do PdH.

Entenda que não ha nada de errado em discordar do brother que escreveu asneira, mas o respeito pela opinião alheia precisa existir antes de qualquer coisa.

Do contrário, é apagar fogo com fogo. O incêndio só vai aumentar.

Abraços e até a próxima!

Aprendendo a Viver

Não  se preocupem, eu não teria a audácia de tentar ensinar qualquer pessoa a aprender a viver. Eu já arrisquei alguns textos de reflexão pessoal que também poderiam ser considerados como “auto ajuda” mas nada a ponto de tentar ensinar alguém a viver. Aprendendo a Viver é o nome de um projeto que merece um pouco da sua atenção!

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Tudo começou no treino de Futebol Americano de domingo, com uma palestra surpresa promovida pelos Caniballs Fc, que trouxeram o projeto Aprendendo a Viver como uma excelente surpresa motivacional pra galera do time. A palestra foi realizada por Luiz Eduardo, idealizador do projeto, que apesar de todas as dificuldades que tem por ser portador de degeneração cerebelar, sabe lidar com a vida de uma maneira muito mais honesta e simples que a maioria de nós.

Com pouco menos de uma hora de palestra, quem ouvia conseguiu entender (e sentir na pele) o quanto somos privilegiados pelo que temos.

O ponto central é saber o que fazer com os recursos que temos, e não passar a vida lamentando pelos recursos que não temos.

O texto é breve! Não prosseguirei com reflexões sobre o que pude absorver da palestra, pois ela é bastante pessoal, mas deixo vocês com o canal do Luiz, que possui diversos vídeos que mostram melhor o seu trabalho e vida.

Era isso! Um breve relato e compartilhamento de um projeto que achei demais!

Até a próxima! 🙂